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Drops S/A: o drama da mutilação genital feminina

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O dia 06 de fevereiro é marcado pela ONU como o Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital.
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Nesse Drops S/A falaremos sobre um assunto que já foi abordado no blog como podem ver na matéria ‘Inspiração Somali‘, mas devido ao Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital iremos lembrá-los sobre essa injustiça que destrói vidas de milhões de mulheres há anos, principalmente em países da África e do Oriente Médio.

Para quem não sabe o que é a mutilação feminina, trata-se de uma prática cultural consistente em amputar o clitóris das mulheres ainda crianças, para que não possam sentir prazer durante suas relações sexuais. Infelizmente por se tratar de uma atitude cultural, muitos familiares e até mesmo mulheres, acreditam que se não houver a circuncisão elas não conseguirão arranjar um marido, pois esse doloroso processo demonstra que se é “pura”. Também usam como explicação que, uma mulher que não se submete a mutilação não “será capaz de dar à luz, ou que o contato com o clitóris é fatal ao bebê, e ainda, que melhora a fertilidade da mulher”. Infelizmente é assim que muitos pensam até hoje.

Mulheres de família somali - Fatma (a esquerda), Lu (filha de Fatma ao meio) e Samira (neta de Fatma direita). Fatma e Lu foram submetidas a circuncisão feminina, já Samira nascida no Reino Unido não passou pela multilação. (Imagem: BBC Brasil)

Mulheres de família somali – Fatma (a esquerda), Lu (filha de Fatma ao meio) e Samira (neta de Fatma a direita). Fatma e Lu foram submetidas a circuncisão feminina, já Samira nascida no Reino Unido, não passou pela mutilação. (Imagem: BBC Brasil)

Estima-se que cerca de 129 milhões de mulheres sofrem diariamente por terem passado por esse processo de circuncisão. Além de não sentirem prazer pela prática sexual, elas sofrem com graves dores e não conseguem manter seus órgãos genitais limpos, o que gera em infecções e podem levá-las à morte.

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon afirma que a data é considerada uma oportunidade de colocar um basta nessa prática sócio-cultural, que tira de milhões de mulheres o direito de viverem felizes e saudáveis.

Os países marcados em vermelho são os principais locais onde ainda se é feita a mutilação feminina. (Imagem: Wikipédia)

Os países marcados de vermelho são os principais locais onde ainda se é feita a mutilação feminina. (Imagem: Wikipédia)

Alguns países africanos já adotaram leis contra a prática de circuncisão: Guiné-Bissau, Uganda, Quênia e Etiópia são alguns que não aceitam que as mulheres passem por essa crueldade. Lembrando que nos anos 90, a ex-modelo e ativista somali Waris Dirie deu uma proporção mundial ao assunto, após relatar tudo o que passou na Somália para uma tevê inglesa —, em 2010 foi lançado o filme “Flor do Deserto”, baseado em sua auto-biografia. Para assistir ao filme, basta clicar no vídeo abaixo:

Quer saber mais sobre mutilação genital feminina? Acesse:
ONU Brasil: www.unmultimedia.org 
Revista Exame: www.exame.abril.com.br
BBC: www.bbc.co.uk
 
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Inspiração Somali

Há exatamente 5 anos uma matéria na revista Seleções me chamou a atenção. Não consigo me lembrar com todos os detalhes que gostaria mas sei que tratava-se de uma entrevista com a modelo somali Waris Dirie, que descrevia sua experiência de vida nada fácil, como foi  nascer em uma família nômade no deserto da Somália e ter que sofrer com seus costumes desde muito pequena.

Waris Dirie

Waris Dirie

Aos três anos Waris foi sujeita a um ato brutal e cultural, o ato da circuncisão  feminina (conhecida pela ONU como mutilação genital), no meio do deserto da Somália sem nenhuma anestesia, como era de costume em sua vila. A mutilação consiste em amputar o clitóris da mulher de modo que esta não possa sentir prazer durante o sexo. Além dela, a irmã de Waris passou pela mesma situação, tentou fugir de tanta dor, mas não suportou e perdeu sua vida por hemorragia. Quando completou treze anos, a pequena Waris foi prometida pelo seu pai a um homem de sessenta anos de idade. Um ato “comum” de sobrevivência para os nômades somalis, que nesse caso a filha foi trocada por 5 camelos.

Extremamente comovida com a situação, a mãe de Waris encorajou a filha que fugisse na calada da noite, pois não queria que ela tivesse uma vida tão sofrida como a dela. Então a garota fugiu pelo deserto somali com muita sede e fome em busca de uma chance de viver melhor, mesmo que tivesse que enfrentam todos seus medos durante essa fuga.

Um dos momentos marcantes dessa história enquanto ela fugiu pelo deserto, foi quando a garota extremamente fraca dormia em baixo de uma árvore seca e acordou com duas leoas a cheirando e provavelmente famintas, mas que por algum milagre não acharam interessante  devorar algo tão magro e sem vida. Depois de muita luta ela conseguiu chegar à capital Mogadíscio, e lá, se juntou aos familiares que a levaram para trabalhar na Embaixada Somali de Londres, onde por algum momento inesperados da vida foi descoberta pelo famoso fotógrafo Timothy Spall, que se encantou com a beleza da jovem e futuramente a deixaria conhecida mundialmente como uma grande modelo e ativista.

Hoje Waris é autora de quatro livros autobiográficos e dedica seu tempo e força como embaixadora da ONU para campanhas contra a mutilação genital feminina pelo mundo. A modelo e a Organização das Nações Unidas criaram uma Fundação que leva o seu nome www.waris-dirie-foundation.com.

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Me lembrei desse fato, da história da modelo e ativista somali Waris Dirie porque como amante de documentários que sou, estava perambulando por alguns blogs e descobri que em 2009 será lançado o filme Desert Flower (Flor do Deserto), baseado no best-seller escrito por Waris. Essa informação me despertou a vontade de mostrar às pessoas a importância de conhecer muito mais do que a nossa vida possa chegar, independente de quem ou de onde. Todos precisam saber.

Fotos do filme Desert Flower:

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Representação de Waris no deserto da Somália em sua vila,

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com o homem de 60 anos designado como seu marido, que a comprou por 5 camelos

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e como modelo nos anos 90.

Trailer legendado:

Considerações e reações:
Me lembro bem da minha revolta com aquele tipo de cultura que lia na revista, não acreditava, não achava certo, mas permanecia perplexo e rico, rico por aceitar que essa informação tivesse chegado até mim, pois foi crucial na minha vida. Me emocionei e fiquei estático diante daquele mundo que lia e não tinha o menor conhecimento. Foi o momento em que percebi o meu interesse em culturas extremas. Saber que há milhares de culturas ao redor do mundo e que mesmo assim continuamos nos prendendo ao nosso “imenso” espaço.

O despertar da matéria da “pequena” revista Seleções foi primordial para tomar a decisão que tomei na minha vida, de me tornar um comunicólogo.  Consigo ver que esse é o meu caminho e que assuntos como esses que li há 5 anos irão se repetir de diferentes maneiras, mas, que espero ter o prazer de um dia participar e ser a ponte dessas histórias para transpor qualquer barreira que limite as pessoas de conhecer o desconhecido e manter seu crescimento social e respeito alheio.

Saiba mais:

Mutilação Genital Feminina: http://tinyurl.com/d5oudg / http://tinyurl.com/25twnxh

Waris Dirie: http://tinyurl.com/2a8kaqx


Texto por Fernando Lima

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