A exatamente 5 anos, uma matéria na revista Seleções sobre uma modelo somali (Somália) me chamou atenção. Não lembro ao certo, mas a matéria era uma entrevista com a modelo somali Waris Dirie, que contava sua experiência de vida nada fácil, e de como foi nascer em uma família nômade no deserto da Somália e ter que sofrer com seus costumes desde muito criança.

Waris Dirie
Waris aos três anos foi sujeita a circuncisão feminina (conhecida pela ONU como multilação genital) no meio do deserto, sem nenhuma anestesia, como era de costume em sua vila. A mutilação consiste em amputar o clitóris da mulher de modo a que esta não possa sentir prazer durante o sexo. Sua irmã que passou pela mesma situação, e fugiu com muita dor e morreu de hemorragia. Quando completou treze anos foi prometida a um homem de sessenta anos de idade, porque seu pai à vendeu por 5 camelos devido as necessidades em que a família passava.
(Lembro das minhas reações revoltadas com aquele tipo de cultura que lia na revista, não acreditava.) A mãe de Waris a deixou fugir no meio da noite, pois não queria que a filha tivesse uma vida tão sofrida como a dela, e a garota fugiu pelo deserto com muita fome e sede, em busca de uma vida melhor, em muitos momentos ela passou por situações em que arriscava sua vida.
Um dos momentos foi quando a garota extremamente fraca dormia em baixo de uma árvore seca no deserto e acordou pela manhã com dois leões famintos a cheirando, mas que por algum milagre não acharam interessante devorar algo tão magro e sem vida. Depois de muita luta, ela conseguiu chegar à capital somali, Mogadíscio e lá se juntou a familiares que a levaram para trabalhar na Embaixada Somali de Londres, onde foi descoberta pelo famoso fotógrafo, Timothy Spall, que se encantou com a beleza da jovem, que depois de algum tempo ficaria muito conhecida como modelo, e também por sua história de vida.
Hoje, Waris é autora de quatro livros autobiográficos e dedica seu tempo e energia como embaixadora da ONU para campanhas junto contra a mutilação genital feminina pelo mundo, e mantém uma Fundação que leva o seu nome www.waris-dirie-foundation.com.



Confesso que me emocionei e fiquei estático diante daquele mundo que lia e não tinha o menor conhecimento. E naquele momento percebi o meu interesse em culturas diferentes a minha. Saber que milhares de culturas estão ao redor do mundo, e mesmo assim, continuamos nos prendendo ao nosso limitado espaço, nossas necessidades e nossas conquistas, e textos como esse da “pequena” revista Seleções, foram primordiais quando tomei a decisão de me tornar um jornalista. Vejo a cada dia que esse é o meu caminho e que muitos textos como esse que li a 5 anos vão se repetir de maneiras diferentes eu quero ter o prazer de escrever-los, não por sensacionalismo, mas sim por conhecimento do desconhecido e crescimento do respeito alheio.
Lembrei desse fato e da história da modelo somali Waris Dirie, porque como amante de documentários, eu estava perambulando nos blogs e descobri que agora em 2009 será lançado o filme Desert Flower (Flor do Deserto) baseado na história de Waris.
Essa lembrança despertou a vontade de mostrar as pessoas o respeito ao alheio, independente de quem, de onde ou de como são. Todos nós somos iguais.
Fotos do filme Desert Flower:

Representação de Waris no deserto da Somália em sua vila,

com o homem designado como marido de 60 anos, que a comprou por 5 camelos

e como modelo nos anos 90.
Trailer de 57 segundos:
Saiba mais:
Mutilação Genital Feminina: http://tinyurl.com/d5oudg / http://tinyurl.com/25twnxh
Waris Dirie: http://tinyurl.com/2a8kaqx
Texto por Nando X. Lima
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